FarmaViva · Otite e infeções do ouvido
Otite e infeções do ouvido: quando as gotas resolvem e quando não chegam
Quem procura gotas para otite costuma ter dor de ouvido há um ou dois dias e quer resolver o problema em casa. A resposta honesta é que depende de qual otite se trata, e essa distinção não se faz pela intensidade da dor. A otite externa afeta o canal auditivo, a parte que vai da entrada do ouvido até ao tímpano, e é aí que as gotas atuam. A otite média afeta o espaço atrás do tímpano, uma cavidade fechada onde nenhuma gota aplicada no canal consegue chegar; nesse caso, as gotas antibióticas não fazem o que o doente espera e o seu uso apenas atrasa a avaliação correta. Há ainda uma terceira situação que muda tudo: com o tímpano perfurado, algumas substâncias usadas em gotas otológicas deixam de ser adequadas, porque passam a ter contacto com o ouvido médio. Esta página explica como se separam estes quadros, que sinais obrigam a observação presencial no próprio dia e, sobretudo, o que uma avaliação escrita à distância não consegue fazer. A FarmaViva funciona por formulário: não há videochamada, telefone nem hora marcada. O médico lê o que escreve, responde por e-mail e, num quadro de otite aguda, pode concluir que o caso tem de ser visto ao vivo.
Otite externa e otite média: porque é que a diferença decide o tratamento
A otite externa é uma inflamação do canal auditivo, muitas vezes associada a humidade prolongada, banhos em piscina ou no mar, ou a traumatismo do canal por cotonetes e auriculares. O canal fica inchado e doloroso, e o sinal mais característico é a dor que aumenta quando se puxa o pavilhão auricular ou se pressiona o trago (tragus), aquela pequena saliência à entrada do ouvido. Como a inflamação está numa superfície acessível, um medicamento aplicado em gota chega ao local afetado em concentração elevada. É por isso que, na otite externa não complicada, o tratamento tópico é a abordagem habitual e frequentemente dispensa antibiótico por via oral. A otite média é outra coisa. A inflamação está na cavidade timpânica, atrás de uma membrana intacta. Tipicamente surge dias depois de uma constipação, com sensação de ouvido tapado, dor mais profunda e por vezes febre, e a manipulação do pavilhão não agrava a dor. Aqui, as gotas aplicadas no canal ficam do lado de fora do problema. O tratamento assenta no controlo da dor e, conforme a idade, a evolução e o quadro clínico, na decisão sobre antibiótico sistémico. Muitas otites médias em adultos resolvem sem antibiótico, e essa decisão exige a observação do tímpano, não uma suposição a partir dos sintomas relatados.
O que existe em gotas para otite e o que cada grupo faz
Sob a designação genérica de gotas para otite existem produtos com finalidades muito diferentes, e é comum trocá-los. Um primeiro grupo são gotas com antibiótico, isoladas ou combinadas com um corticosteroide para reduzir o inchaço e a dor. São usadas quando há infeção bacteriana do canal auditivo. Um segundo grupo são gotas antifúngicas, para os casos em que o agente é um fungo, situação mais frequente em quem usa gotas antibióticas repetidamente, em climas húmidos ou em pessoas com diabetes. Um terceiro grupo são gotas analgésicas ou anestésicas locais, que aliviam a dor sem tratar a causa. E um quarto grupo, muitas vezes confundido com os anteriores, são os produtos para amolecer cerúmen, que servem para remover cera e não têm qualquer ação sobre uma infeção. A escolha entre estes grupos não se faz pelos sintomas relatados, porque dor e sensação de ouvido tapado são comuns a quase todos os quadros. Faz-se pela observação do canal e do tímpano. Há ainda uma consideração de segurança concreta: determinadas substâncias, nomeadamente aminoglicosídeos, são desaconselhadas quando existe perfuração timpânica ou tubos de ventilação, pelo risco de toxicidade para o ouvido interno. Um doente que não sabe se tem o tímpano íntegro não tem forma de fazer esta escolha sozinho, e é esse o motivo pelo qual estes produtos estão sujeitos a receita médica.
Sinais que obrigam a observação presencial e não a um formulário
Há situações em que a avaliação à distância é inadequada, e é preferível dizê-lo de forma clara. Procure observação médica presencial, ou serviço de urgência conforme a gravidade, se houver saída de pus ou sangue pelo ouvido, perda súbita de audição, tonturas intensas com desequilíbrio, assimetria da face ou dificuldade em fechar um olho, dor intensa com febre alta que não cede, ou inchaço, vermelhidão e dor no osso atrás da orelha. Este último sinal levanta a hipótese de mastoidite, uma complicação que exige avaliação hospitalar. O mesmo se aplica a quem tem fatores que alteram o risco: diabetes mal controlada, imunossupressão, antecedentes de cirurgia ao ouvido, tubos de ventilação colocados, ou uma otite externa que não melhora após vários dias de tratamento correto. Nestes casos, a otite externa pode evoluir para formas invasivas que não se tratam com gotas. Também não é adequado avaliar por escrito uma criança pequena com dor de ouvido e febre, porque o exame do tímpano é a peça central do diagnóstico e não pode ser substituído por uma descrição. Se lhe dissermos que o seu caso precisa de ser visto ao vivo, é isso que fazemos, mesmo que já tenha preenchido o formulário. Nesse caso o encaminhamento vale como recusa por razões clínicas e o valor pago é devolvido.
O que pode aliviar em casa enquanto aguarda avaliação
Enquanto espera por uma avaliação, algumas medidas gerais reduzem o desconforto sem interferir no diagnóstico. Os analgésicos comuns de venda livre, usados conforme a informação do folheto e a orientação do farmacêutico, são a base do controlo da dor tanto na otite externa como na média. Manter o ouvido seco importa mais do que parece na otite externa: evite entrar em piscinas ou no mar e, ao tomar banho, proteja o ouvido em vez de o secar por dentro. Não introduza cotonetes, água, azeite, álcool nem qualquer líquido caseiro no canal auditivo. Além de poderem agravar a inflamação, alteram o aspeto do canal e dificultam a observação de quem o vier a examinar. Se já tem gotas de uma infeção anterior guardadas em casa, não as reutilize por iniciativa própria. O quadro atual pode não ser o mesmo, o produto pode estar fora de validade ou contaminado depois de aberto, e se entretanto houver perfuração do tímpano a substância pode passar a ser desaconselhada. Também não faz sentido tomar restos de antibiótico oral de um tratamento anterior: na otite média o antibiótico nem sempre está indicado, e um curso incompleto ou desajustado contribui para a resistência bacteriana sem tratar o problema.
Não há gotas antibióticas sem receita, e a razão é concreta
Uma parte de quem procura este tema quer saber onde comprar gotas para otite sem receita. Vale a pena responder diretamente em vez de contornar. Em Portugal, os medicamentos com antibiótico ou antifúngico para aplicação no ouvido são sujeitos a receita médica, e sem ela a farmácia não os pode dispensar. A restrição não é burocracia: a escolha errada entre um antibacteriano e um antifúngico prolonga a infeção, e a aplicação de determinadas substâncias com o tímpano perfurado pode lesar o ouvido interno, com repercussão na audição e no equilíbrio. É um risco que depois não se recupera. O que existe sem receita são produtos para amolecer cera e analgésicos de uso geral, que aliviam mas não tratam infeção. Se a dor é ligeira, recente e sem os sinais de alarme descritos acima, é razoável começar por aí e reavaliar em um a dois dias. Se não melhora, ou se aparece qualquer um daqueles sinais, o passo seguinte é ser observado, e não procurar uma forma de obter o medicamento sem avaliação. Também não emitimos receitas a pedido: o médico avalia e pode concluir que não há indicação, e nesse caso a resposta que recebe é uma explicação, não um documento.
Como funciona a avaliação na FarmaViva e o que recebe no fim
O modelo é escrito. Preenche um formulário com a descrição dos sintomas, há quanto tempo duram, que ouvido está afetado, antecedentes relevantes como cirurgia ao ouvido ou perfuração conhecida, medicação habitual e alergias, e identifica-se com documento de identificação: cartão de cidadão, passaporte ou título de residência. Não há videochamada, telefone nem hora marcada. O Dr. Damian Wojno, inscrito na Ordem dos Médicos da Polónia em Olsztyn com a licença profissional 3211301, analisa o caso e responde por e-mail. Pode pedir informação adicional ou relatórios de consultas anteriores, e pode concluir que o quadro exige observação presencial, o que numa otite aguda é um desfecho frequente, porque a otoscopia não se substitui por descrição escrita. Se houver indicação clínica que possa ser estabelecida por escrito, tipicamente na continuidade de um tratamento já avaliado presencialmente, o documento emitido é uma receita transfronteiriça em PDF, enviada por e-mail ao abrigo da Diretiva de Execução 2012/52/UE. Não é uma receita portuguesa: não tem código PIN, não usa número de utente e não passa pelo SNS. Apresenta-a impressa na farmácia, com o documento de identificação. O farmacêutico é quem decide sobre a dispensa e pode recusar se tiver dúvidas fundamentadas, pelo que este formato não é aceite em todas as farmácias. Sobre o pagamento, o critério é este: a taxa cobre a consulta, não a emissão de um documento. Se o médico recusar por razões clínicas ou encaminhar para observação presencial, o valor é devolvido. Se pedir documentação e esta não for enviada, a consulta considera-se realizada e o valor não é devolvido.
Revisão clínica: Dr. Damian Wojno (Ordem dos Médicos da Polónia, secção de Olsztyn, licença profissional n.º 3211301) · Atualizado em · Linhas editoriais · Operador: MEDINOW Sp. z o.o.. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.