FarmaViva · Antibióticos
Antibióticos: quando são realmente necessários
Um antibiótico só atua contra bactérias. Não faz nada contra vírus, e por isso não trata a constipação, a gripe nem a maioria das dores de garganta e das bronquites agudas. Esta é a resposta curta à pergunta que a maior parte das pessoas traz quando procura informação sobre antibióticos: se o que tenho justifica ou não tomar um. Na prática, a maioria das infeções respiratórias agudas resolve-se sem qualquer antibiótico, e tomá-lo sem indicação traz efeitos adversos reais sem benefício nenhum. Esta página explica como se distingue, na avaliação clínica, uma infeção provavelmente bacteriana de uma provavelmente viral, que sinais fazem um médico mudar de opinião, porque é que a duração do tratamento é uma decisão caso a caso e não uma regra fixa, e o que significa a resistência aos antimicrobianos para quem toma o medicamento hoje. Explica também porque é que, em Portugal, os antibióticos de uso sistémico exigem receita médica e não há forma legal de os obter sem ela. No fim, descrevemos como funciona a avaliação médica por escrito que a FarmaViva disponibiliza, o que pode e não pode resultar dela, e em que situações o problema não é adequado a avaliação à distância e exige observação presencial.
O que é um antibiótico e o que ele não faz
Antibiótico é um medicamento que mata bactérias ou impede que se multipliquem. Diferentes famílias atuam em alvos diferentes da célula bacteriana: as penicilinas e as cefalosporinas interferem com a construção da parede celular, os macrólidos e as tetraciclinas bloqueiam a produção de proteínas, as quinolonas impedem a replicação do material genético. Nenhum destes alvos existe nos vírus, que não são células e se reproduzem dentro das nossas. É esta a razão biológica, e não uma questão de dose ou de potência, pela qual um antibiótico não atua numa gripe. Também não atua em fungos nem em parasitas, que exigem classes próprias. Daqui decorrem duas consequências práticas. A primeira é que a pergunta clínica correta não é se a pessoa está muito doente, mas se o agente é bacteriano. Alguém pode ter febre alta e sentir-se péssimo com uma infeção viral, e melhorar sozinho em poucos dias. A segunda é que o antibiótico não é intercambiável: o que resolve uma infeção urinária pode ser inútil numa infeção respiratória, porque as bactérias envolvidas são outras e a concentração que o medicamento atinge em cada tecido é diferente.
Como se distingue uma infeção viral de uma bacteriana
Não existe um sinal isolado que resolva a questão, e é por isso que a avaliação depende de um conjunto. O que o médico pesa é a evolução no tempo, o padrão dos sintomas, a idade e as doenças de base. Muitas infeções virais têm um curso característico: pioram durante dois a três dias, mantêm-se, e melhoram progressivamente. Uma deterioração após uma melhoria clara é um sinal de alerta, porque pode indicar uma complicação bacteriana sobreposta. Sintomas que persistem além do esperado, sem qualquer tendência de melhoria, também mudam a leitura. A cor da expetoração ou do muco nasal, ao contrário do que se pensa, não é fiável: o amarelo ou o verde resultam de células de defesa e aparecem igualmente em infeções virais. Alguns quadros têm probabilidade bacteriana suficientemente alta para justificar tratamento, como certas infeções urinárias com sintomas típicos, ou infeções cutâneas com sinais inflamatórios que se estendem. Outros exigem confirmação laboratorial antes de decidir. Em situações de dúvida, o médico pode optar por reavaliar em dois ou três dias em vez de prescrever de imediato, com instruções claras sobre o que deve motivar contacto mais cedo.
Porque é que a resistência aos antimicrobianos o afeta a si
A resistência costuma ser apresentada como um problema de saúde pública distante, mas tem efeito individual e imediato. Cada exposição a um antibiótico seleciona, no organismo de quem o toma, as bactérias que lhe sobrevivem, incluindo as da flora intestinal e cutânea que não causavam doença nenhuma. Essas estirpes selecionadas podem permanecer durante semanas a meses. Se surgir uma infeção nesse período, é mais provável que o antibiótico habitual já não funcione e que seja necessário recorrer a alternativas com mais efeitos adversos, por vezes injetáveis e em internamento. A Direção-Geral da Saúde mantém um programa nacional de prevenção e controlo de infeções e de resistência aos antimicrobianos, dedicado, entre outras coisas, a reduzir a prescrição desnecessária. Há também um custo direto que não depende de resistência alguma: reações alérgicas, algumas graves, diarreia, e alterações da flora intestinal que podem levar a colite por Clostridioides difficile. Tomar um antibiótico que não era preciso não é uma decisão neutra, com potencial de ganho e sem perda. É uma decisão com risco certo e benefício nulo.
Duração do tratamento e o mito de terminar sempre a embalagem
A recomendação clássica de completar sempre a caixa foi construída sobre a ideia de que interromper cedo favoreceria resistências. A evidência acumulada nas últimas décadas levou à revisão desta regra em várias situações, e hoje diversas normas admitem, em infeções comuns e em doentes selecionados, cursos mais curtos do que os tradicionais, com eficácia semelhante e menos efeitos adversos. Isto não significa que o doente possa decidir por si quando parar. Significa que a duração é uma decisão clínica que depende do local da infeção, do agente e da resposta ao tratamento, e que deve constar da prescrição. Sentir-se melhor ao fim de alguns dias é esperado e não é, por si, indicação para interromper. Em contrapartida, prolongar o tratamento por iniciativa própria, ou guardar comprimidos para uma próxima vez, não traz segurança adicional. A regra prática é simples: cumprir a duração indicada por escrito, sem encurtar nem prolongar, e voltar a contactar se não houver melhoria no prazo que o médico definiu. Sobras de medicamento devem ser entregues nos pontos VALORMED das farmácias, e não guardadas no armário.
Situações em que a avaliação à distância não é adequada
Há quadros em que a avaliação por formulário não substitui a observação e em que insistir por essa via representa perda de tempo com risco. Falta de ar, dor torácica, confusão, rigidez da nuca, sonolência anormal, incapacidade de ingerir líquidos, ou uma febre acompanhada de queda acentuada do estado geral exigem observação urgente. O mesmo se aplica a uma zona de pele quente e vermelha que aumenta rapidamente, à suspeita de infeção associada a próteses ou cateteres, e a febre em quem faz quimioterapia, imunossupressores ou tem baixa contagem de defesas. A gravidez e a idade pediátrica têm particularidades que geralmente exigem avaliação presencial. Quando o quadro é agudo e a origem não está esclarecida, o exame físico e os exames complementares não são um detalhe: são o que permite distinguir uma amigdalite de um abcesso, ou uma cistite de uma infeção do rim. Perante dificuldade respiratória, dor torácica ou alteração do estado de consciência, o número a contactar é o 112. Nas restantes situações, a linha SNS 24, através do 808 24 24 24, o centro de saúde ou o serviço de urgência orientam consoante a gravidade.
Como funciona a avaliação médica por escrito na FarmaViva
O serviço da FarmaViva assenta num formulário. Não há videochamada, não há telefonema e não há marcação de hora, e a FarmaViva não vende nem envia medicamentos. O doente descreve os sintomas, o tempo de evolução, as doenças crónicas, a medicação habitual e as alergias, e anexa análises ou relatórios que tenha. O Dr. Damian Wojno, inscrito na Ordem dos Médicos da Polónia em Olsztyn com a licença profissional 3211301, avalia o pedido por escrito e responde por e-mail. A resposta pode ser um pedido de esclarecimentos adicionais, a indicação de que o caso exige observação presencial, ou, quando há indicação clínica, a emissão de uma receita. Não há garantia de prescrição: essa decisão é do médico e pode ser negativa. Quando é emitida, chega em PDF por e-mail como receita transfronteiriça, ao abrigo da Diretiva de Execução 2012/52/UE, identificando o doente pelo documento de identificação. Não tem código PIN nem número de utente, porque não é uma receita do sistema português, e não pode abranger estupefacientes nem psicotrópicos, excluídos deste regime pelo artigo 11.º, n.º 6, da Diretiva 2011/24/UE. O farmacêutico avalia o documento e pode recusar a dispensa se tiver dúvidas fundamentadas. O pagamento cobre a consulta e não a emissão de um documento: em caso de recusa por motivos clínicos, o valor é devolvido; se o médico pedir documentação e esta não for enviada, a consulta considera-se realizada e não há devolução.
Revisão clínica: Dr. Damian Wojno (Ordem dos Médicos da Polónia, secção de Olsztyn, licença profissional n.º 3211301) · Atualizado em · Linhas editoriais · Operador: MEDINOW Sp. z o.o.. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.